EMS retoma interesse por ativos da Takeda

Valor Econômico - Ana Paula Machado.
24/01/2020.

A EMS, empresa do grupo NC, mantém vivo seu plano de expansão mesmo depois de perder a disputa pelo Buscopan para a Hypera. O laboratório estuda proposta de compra de parte do portfólio da Takeda na América Latina, apurou o Valor. A farmacêutica japonesa, dona da Neosaldina, reabriu o processo de venda da operação de medicamentos isentos de prescrição (OTC, na sigla em inglês) na região. Desde julho do ano passado, a empresa tenta vender os seus ativos e chegou a receber propostas em outubro, mas elas não alcançaram o valor estimado inicialmente, segundo fonte junto à negociação.

A transação gira em torno de US$ 700 milhões a US$ 900 milhões, segundo outra fonte com conhecimento no assunto. O prazo para a entrega das propostas é dia 20 de fevereiro. O Bank of American (BofA) está coordenando a operação. “O negócio deve ser concluído ainda neste trimestre”, disse uma fonte. A EMS está na fase de avaliação do negócio para fazer a proposta final.

Na América Latina, a Takeda tem em seu portfólio que inclui, além da Neosaldina, medicamentos como o Eparema, Xantinon, Nebacetim e Fibernorm e uma fábrica na cidade de Jaguariúna, no interior de São Paulo. No ano passado, a divisão de OTC da Takeda vendeu no Brasil R$ 1,8 bilhão, de acordo com dados da consultoria especializada IQVia. A farmacêutica procura vender toda a operação e a EMS está interessada em parte dos ativos e não deve fazer uma proposta pela unidade fabril.

A Takeda estimava obter US$ 1 bilhão pelos ativos na America Latina. O desconto aconteceu porque a japonesa perderá pelo menos duas licenças de medicamentos na região: o Noripurum, indicado para o tratamento de anemias e deficiência de ferro, que é da suiça Vifor, e o Alektos, um remédio para alergia, da espanhola Faes Farma.

A farmacêutica japonesa busca vender a divisão de OTC no mundo para diminuir o endividamento após aquisição da Shire em 2018. A empresa desembolsou US$ 62 bilhões no negócio. A meta é arrecadar US$ 10 bilhões com a venda dos ativos no mundo.

Em outubro, a dona da Neosaldina concluiu a venda do segmento de OTC na região do Oriente Médio e África. A suiça Acino pagou US$ 200 milhões, apurou o Valor. O contrato deverá ser fechado até março deste ano. Em nota, a Takeda disse que a venda anunciada em outubro faz parte dos “esforços contínuos para concentrar suas operações nas cinco principais áreas de negócios que identificou como essenciais para seu crescimento a longo prazo: Gastroenterologia, Doenças Raras, Terapias Derivadas do Plasma, Oncologia e Neurociência”.

Procurada, a Takeda disse que não comenta rumores ou especulações de mercado. “A empresa permanece comprometida com o Brasil, oferecendo seu portfólio inovador de medicamentos para pacientes em todo o país”. A EMS também informou que não comentaria o assunto.

A EMS busca se internacionalizar e tem investido nessa expansão. Em 2017, a farmacêutica brasileira venceu processo de licitação pública para a aquisição da empresa farmacêutica estatal sérvia Galenika. O investimento total da EMS para a aquisição do complexo Galenika foi de € 46,5 milhões pela operação e as duas fábricas no país. No Brasil, a empresa mantém quatro fábricas e exporta para mais de 40 mercados.