GSK Consumer terá receita de R$ 1 bi com Pfizer

Valor Econômico - por Ana Paula Machado.
11/11/2019.

Após a conclusão da joint venture com a Pfizer, a GSK Consumer Healthcare Brasil começa agora a traçar os planos para o mercado brasileiro. A presidente da companhia, Andrea Rolim, disse que, como a assinatura aconteceu no dia primeiro do mês, o próximo passo é a análise do portfólio das empresas para dar início ao desinvestimento, que mundialmente, deverá gerar recursos de R$ 4,8 bilhões.

“Vamos sair de negócios onde faz menos sentido para a nova empresa. Além da venda da área de dermocosméticos, não há nada previsto para o Brasil ainda. Esse processo de desinvestmento tem que ser concluído até 2022 em todo o mundo. Além disso, a joint venture estima que as sinergias geradas serão da ordem de R$ 2,4 bilhões”, disse a executiva. Na nova empresa, a GSK tem 70% de participação e a Pfizer 30%. Ao final de 2022, a GSK tem a prerrogativa de adquirir a fatia da Pfizer.

Como publicou o Valor no dia 25 de outubro, a GSK está vendendo a sua área de dermocosméticos e a estimativa do mercado é que o negócio gire em torno de R$ 1 bilhão, apurou o Valor.

A companhia colocou à venda suas linhas de dermocosméticos Fisiogel, Spectraban, Acne-Aid, Sunmax e Clindo no Brasil. Farmacêuticas brasileiras, como EMS e Hypera, e empresas de cosméticos e beleza, como Natura e O Boticário, estão entre as companhias com quem a GSK está iniciando conversas, conforme duas fontes. O processo está na fase inicial e é coordenado pela assessoria financeira Greenhill.

Na operação brasileira, o plano, segundo Andrea, é crescer, em faturamento, em torno de 7% a 10% no próximo ano. Em 2019, essa nova companhia deverá gerar receitas da ordem de R$ 1 bilhão. “Vamos concentrar os nossos esforços em marcas que já tem grande aceitação no mercado, como o de antiácidos, pasta de dentes e analgésicos.”

A GSK é líder em vendas de antiácidos com o sal de fruta ENO e o Sonrisal. “Mundialmente, identificamos quais os mercados com maior potencial de crescimento e o Brasil é um deles. Por isso, estamos terminando o plano de investimentos destinados ao país que será proporcional ao que tem capacidade de crescer.”

Segundo ela, a companhia irá concentrar os esforços em seis marcas já consagradas. Além do ENO e Sonrisal, a GSK vai investir mais no analgésico Advil, no creme dental Sensodyne, no fixador de próteses Corega e no multivitamínico Centrum. “Tem muito espaço para crescer dentro desses segmentos. A expansão estimada será conquistada organicamente neste primeiro momento.”

Andrea ressaltou, no entanto, que com a avaliação do portfólio das marcas mundialmente, a GSK poderá nacionalizar alguns produtos. Mas, isso vai depender dos estudos e do plano de negócios que estará pronto ao final deste ano. “Em 2020, temos que começar a operar com as novas estratégias.”

Segundo a executiva, um mercado que a companhia poderá entrar é o de medicamentos isentos de prescrição (OTC, na sigla em inglês) destinados á problemas respiratórios. “É uma área que temos produtos lá fora e aqui não. Pode ser que lancemos produtos para esse segmento. Mas, tudo irá depender do plano de ação que estamos traçando.”