Importado pode chegar a 60% do mercado

Valor Econômico - por Stella Fontes.
30/10/2019.

Em uma conta preliminar, a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) estima que a participação dos produtos químicos de uso industrial importados na demanda brasileira chegará a 60%, caso a abertura comercial proposta pelo governo brasileiro seja implementada sem que as condições de competitividade das fabricantes locais sejam asseguradas. Hoje, essa fatia já está em 41%, a mais alta na história.

De acordo com a diretora de economia e estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, os primeiros cálculos indicam que, se a abertura comercial for unilateral, os importados ganharão espaço no mercado doméstico e a capacidade ociosa nas fábricas brasileiras vai aumentar até o ponto em que não seja mais viável mantê-las em operação.

Neste momento, a ociosidade está em 30%, no limite para um setor que opera em regime de processo contínuo. Uma nova queda pode iniciar o desligamento de fábricas, conforme a Abiquim. Sede do mais antigo polo petroquímico brasileiro, São Paulo tende a ser o mais afetado pela abertura comercial unilateral, já que as operações no Estado são as mais dependente do óleo e do gás nacionais.

Os cálculos da Abiquim consideram também as cadeias de valor que são clientes da indústria química, como têxteis, farmacêutica e automotiva, e até agora indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) do setor está em risco. Com importações mais competitivas que os bens nacionais, a tendência é de ampliação também das compras externas de produto final. “É o pior dos mundos”, diz Denise. A indústria química, que já foi a segunda maior no PIB industrial brasileiro, ocupa hoje a quarta posição e perderia mais alguns degraus se as previsões se brasileiro, ocupa hoje a quarta posição e perderia mais alguns degraus se as previsões se confirmarem.

A Abiquim compõe o grupo de entidades setoriais que, junto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), está avaliando a lista oficiosa de produtos e respectivas novas alíquota que teria sido apresentada pelo governo brasileiro ao Mercosul. Abimaq, Abit e Instituto Aço Brasil também participam das discussões.

Uma nova rodada de conversas está prevista para os próximos dias, quando o grupo definirá medidas que deverão ser adotadas. “A abertura deve ser feita com previsibilidade e estar em sincronia com as reformas estruturais”, observa a diretora de assuntos de comércio exterior da Abiquim, Denise Mazzaro Naranjo.

De acordo com a executiva, somente com a hibernação das duas fábricas de fertilizantes da Petrobras no Nordeste e a suspensão de parte das operações da Braskem em Alagoas, por causa dos problemas associados à mineração de sal-gema, a taxa de ociosidade da indústria saltou dez pontos percentuais. “Nesse patamar, não vemos apenas risco de não haver investimentos, mas de desinvestimentos mesmo, com a perda de empregos qualificados”, afirma.

Para a indústria de transformação de plásticos, porém, a notícia de que a alíquota de importação de determinados produtos petroquímicos, em especial as resinas termoplásticas, deve cair foi bem recebida. Há anos os transformadores se queixam da imposição de taxas elevadas a matérias-primas e insumos importados, sobre os quais podem incidir ainda tarifas antidumping. “Há distorções que precisam ser corrigidas”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz Coelho.

Polipropileno (PP), PVC e PET são os casos mais graves, conforme Roriz, já que a produção local dessas resinas está nas mãos de apenas um ou dois fabricantes e ainda assim há antidumping – no caso do PP, a Braskem é a única produtora brasileira e no do PVC, a proteção tarifária existe há mais de duas décadas. “Somos favoráveis à escalada tarifária. À proteção tarifária existe há mais de duas décadas. “Somos favorá medida que agrega valor, a proteção é maior”, afirma o executivo.