Químico importado ganha mercado frente ao nacional

Jornal Valor Econômico - Stella Fontes.
30/12/2019.

As importações de produtos químicos em valor recuaram em novembro, mas caminham para fechar o terceiro ano consecutivo de recorde em volume, apesar da dinâmica mais lenta da economia brasileira. Isso significa que, mais uma vez, o importado ganhou mercado frente ao produto nacional. Ao mesmo tempo, o desempenho no mês passado sinaliza que o déficit comercial em 2019 pode não ultrapassar os US$ 32 bilhões históricos de 2013 como era esperado. Mas, se não superar, vai ficar muito perto disso.

De acordo com o mais recente Relatório de Acompanhamento Conjuntural da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o Brasil importou US$ 3,5 bilhões em produtos químicos em novembro, com queda de 14,1% na comparação anual e de 17,6% ante outubro. No acumulado dos onze meses, as compras externas subiram 3%, para US$ 41,1 bilhões.

Em volume, as importações somaram 43,8 milhões de toneladas entre janeiro e novembro, com alta de 7%. Diante disso, a Abiquim projeta mais de 47,5 milhões de toneladas, superando as 45,2 milhões de toneladas em 2018 e as 43,1 milhões de toneladas em 2017. O maior volume importado é gerado principalmente pelos intermediários para fertilizantes, que poderiam ser produzidos no país caso os custos de matéria-prima e energia fossem mais competitivos.

O aumento das compras externas fez com que os importados tenham alcançado participação de 42% no consumo nacional de químicos, a maior da história. Para frear esse avanço, a indústria pede que o governo seja rápido na adoção de medidas já anunciadas, como o Novo Mercado de Gás, que promete reduzir de forma significativa o custo do gás natural, usado como matéria-prima e energético no setor.

Se houvesse melhores condições de competitividade, a indústria poderia investir cerca de US$ 5 bilhões ao ano, sete vezes mais do que o desembolso previsto para 2019, que cobre apenas a manutenção das operações existentes, segundo a Abiquim. O valor é muito superior aos US$ 700 milhões em aportes previstos para este ano, que já correspondem a recuo de 77% frente a 2018. Para 2020, a previsão é de US$ 600 milhões.

Ao mesmo tempo, o Brasil exportou US$ 931,8 milhões em produtos químicos em novembro, com queda de 9% ante outubro e 20,8% em relação ao mesmo mês de 2018. Em onze meses, os embarques encolheram 6,8%, para US$ 11,6 bilhões, mostra a Abiquim. Principal item da pauta de exportação da indústria, as resinas termoplásticas registraram queda de 11,2% nos embarques em onze meses, para US$ 1,7 bilhão.

Com isso, o déficit comercial de químicos somou US$ 29,5 bilhões em onze meses, com expansão de 7,4%. Em 12 meses até novembro, o saldo é negativo em US$ 31,8 bilhões, ligeiramente abaixo do recorde de US$ 32 bilhões de 2013.